Com 17 línguas presentes neste número, a DiVersos faz jus ao seu subtítulo – poesia e tradução. Não que esperemos que os nossos leitores habituais leiam o malaio ou o albanês ou mesmo o grego. A opção é a de acolher a poesia na sua universalidade e estranheza, abrir caminhos à familiaridade com a diversidade linguística e até proporcionar algum encontro de falantes de alguma delas com os que falam e escrevem em português. Foi no n.º 16 (janeiro de 2012) que iniciámos a publicação de originais acompanhando a versão traduzida, o que, não sendo uma regra absoluta, se tornou frequente, sem que haja qualquer discriminação para as traduções não acompanhadas do original.
Das mais de 40 línguas presentes ao longo de trinta anos e das 17 línguas deste número, algumas são-no aqui pela primeira vez, como acontece com o corso (cuja proximidade com o italiano oficial o torna não tão estranho), que aqui aparece na tradução de poemas de José Manuel de Vasconcelos por Ghiacumu Thiers; com o latim (traduzido por Jorge Vilhena Mesquita), com o albanês e com o indonésio (traduzidos a partir do inglês).
Não temos a pretensão de chegar às cerca de sete mil línguas existentes (algumas das quais em risco sério de extinção), mas apenas de continuar atentos à diversidade e à vontade de descoberta. E, como é natural, as mais frequentes continuarão a ser as línguas de origem europeia, como também aqui, onde figuram o francês (em traduções de Nicolau Saião, Filipa Jardim, José Manuel de Vasconcelos), o italiano (ainda José Manuel de Vasconcelos), o neerlandês (traduzido por Ana Maria Carvalho), o inglês (traduzido por Freire Falcão, Cláudia Costa, José Lima), o espanhol (que Maria do Sameiro Barroso tanto traduz como nele é autora, o que acontece também com o inglês, e em que poemas seus são, por intermédio do inglês, traduzidos em albanês e em indonésio), o catalão (traduzido por Tiago Alves Costa), e ainda, menos frequente, o norueguês (traduzido com ajuda de Pedro Fernandes). Só por acaso ficou desta vez ausente o alemão.
Quanto a poemas em português, uma curiosidade – o poeta francês Jean-Paul Bota, aqui trazido por José Manuel de Vasconcelos, escreve também poesia diretamente em língua portuguesa. Outros autores portugueses, com ou sem tradução em outras línguas, são António José Queiroz (poeta e editor de poesia), Carlos Leite, Filipa Jardim, Francisco Duarte Mangas, Jorge Vilhena Mesquita, Luís Serra, Rui Guilherme Silva. Em português também, o cabo-verdiano Rëys Moreira; José Luis Hoppfer C. Almada, que escreve tanto em português como em cabo-verdiano, surge aqui com poemas seus na língua de Cabo Verde traduzidos por Rui Guilherme Silva. Quanto ao brasileiro Paulo Henriques Britto, com o seu toque algo pessoano, e que escreve poesia em português mas também em inglês, teve a sua poesia reunida publicada em Portugal em 2021 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
De Manuel Resende falámos na rubrica «Do Editor». A sua presença, cinco poemas escolhidos pelos que o acompanharam no nascimento da DiVersos, traz-nos de novo a sua poesia, num convite a relê-la e com o qual exprimimos a nossa saudade.
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Uma nova pequena tiragem deste livro, que estava totalmente esgotado, foi feita recentemente. Passados sete anos desde o lançamento, é possível encontrar de novo à venda nalgumas livrarias um documento de referência incontornável para a compreensão do pensamento ambiental. Pode igualmente ser encomendado diretamente ao editor: use os contactos à direita.

































