20 Anos de DiVersos – Poesia e Tradução

Esta série DiVersos – Poesia e Tradução iniciou-se em 1996 como uma publicação muito simples de poucas páginas. Proposta por Manuel Resende a três colegas numa instituição europeia onde trabalhavam, Carlos Leite, Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques, teve desde o início a ajuda muito próxima de um outro, José Lima, que ainda hoje a acompanha. O grafismo da capa do primeiro número, igualmente muito simples, deveu-se a Vasco Rosa. Ainda hoje se conserva, embora com alguma derivação circunstancial no tipo de letra usado, e, uma vez por outra, o acréscimo de uma vinheta ou de uma legenda suplementar.

Mantendo-se simples e discreta ao longo de duas décadas, a publicação foi gradualmente crescendo em número de páginas, não devido a algum êxito comercial ou mesmo literário que nunca teve, mas a um lento alargamento de colaboradores, poetas e tradutores, que, na maior parte dos casos chegaram até nós, e continuam a chegar, de forma espontânea. O número 24 é o maior de sempre, chegando a superar as 200 páginas, por um lado devido ao afluxo de colaborações, solicitadas ou espontâneas, e por outro lado para lhe imprimir uma intenção comemorativa, que se manterá no número 25 que esperamos editar igualmente neste vigésimo aniversário da sua existência. Não sabemos se poderemos manter esse número de páginas, seja por motivos de colaboração suficiente, seja por motivos de custos. Se chegámos até aqui foi apenas porque optámos por uma fórmula sóbria e encontrámos maneira de a realizar com baixos custos e uma pequena tiragem. Se o leitor aprecia a DiVersos na sua sobriedade, poderá querer apoiá-la, mantendo ou renovando a sua assinatura, tornando-se assinante ou oferecendo uma assinatura a um amigo, ou por qualquer outra forma a seu gosto.

Pelas edições publicadas, 24 apenas em 20 anos, é fácil ver que a intenção inicial que nos levou a subintitular a série «revista semestral de poesia e tradução», subtítulo mais tarde abandonado, não se concretizou. Curiosamente, após uma interrupção longa entre 2009 e 2012, conseguimos finalmente alcançar grosso modo uma regularidade de dois números em média por ano… Esperamos mantê-la assim pelos anos de longevidade que nos restarem.

DiVersos nº24

Vinte anos de poesia e tradução de poesia na DiVersos são assinalados neste número e sê-lo-ão no próximo. Pela primeira vez inserem-se traduções de poesia dinamarquesa. O poeta traduzido é Benny Andersen e o tradutor para português é o polaco Marcin Wlodek, que tem como segunda pátria a Noruega e se especializou em estudos portugueses. Faz-nos lembrar Alessandro Zocca, italiano que vive em Moscovo e traduziu poetas russos para português incluídos em números nossos anteriores, para além de poemas seus em português também na DiVersos publicados. As outras línguas presentes neste número foram já antes várias vezes traduzidas aqui: Christos Kyrkindanos, do grego moderno, por Rosa Salvado Mesquita; Efraín Huerta, mexicano, traduzido do castelhano por Francisco José Craveiro de Carvalho, matemático, poeta e tradutor, que pela primeira vez colabora com a Diversos, e logo com traduções de três poetas. Além de Huerta, e agora a partir do inglês, devemos-lhe traduções dos norte-americanos Robert Creeley, poeta grande na esteira de Ezra Pound e de William Carlos William, e de Michael Kelleher, que foi próximo de Creeley e mantém intensa atividade literária e cultural. Graças à recomendação amiga de Luís Quintais, pudemos assim beneficiar da generosa cooperação de F. J. Craveiro de Carvalho.

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DiVersos nº23

A natureza foi desde sempre um dos temas predominantes da poesia universal e com especial força em algumas épocas. Modernamente, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, essa presença tem vindo a apagar-se, com o ser humano e os horizontes humanos a ocupar quase exclusivamente a boca da cena. Nas exceções, nota-se que, tanto ou mais que a admiração, a contemplação ou exaltação de épocas anteriores, se observa a par delas a consciência e o lamento da sua destruição pela civilização (ou barbárie) atual em grau historicamente nunca igualado. Contemplação, exaltação e requiem estão presentes nos três poetas – paulo da costa, Reiner Kunze e Ricardo Lima – com que aqui se inicia a etiqueta «Poesia e Natureza». Tal não quer dizer que a temática destes poetas seja exclusivamente a natureza. Mas apenas que a sua poesia, pelo menos nos poemas aqui inseridos, tem a natureza como presença forte. E, claro, haverá poemas que, sem essa etiqueta, a poderiam ter. É já o caso neste número do poema «A ornitoptera», de Guido Gozzano.

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DiVersos nº22

Recebemos há tempos, como oferta da Associação Porta Treze, de Vila Nova de Cerveira, animada por Luandino Vieira, quatro pequenos livros de quatro poetas angolanos, todos editados na coleção Vozes de Grilo, da editora NósSomos, de Luanda e Cerveira. Graças à gentileza do editor, conseguimos contactar os quatro autores e convidá-los a colaborar neste número da DiVersos.

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DiVersos nº21

Na aldeia-globo, com fios e sem fios, sabemos hoje por vezes mais sobre os antípodas que sobre a terra ao pé de porta – e o mesmo se pode passar com a poesia e com as línguas de que a traduzimos. Desta reflexão à vontade de seguir mais de perto a poesia escrita em galego vai um pequeno passo, que adiante tentaremos explicar. E começando (recomeçando) por algum nome, que outro mais indicado que o de Rosalía de Castro?

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Pensar Como uma Montanha

Uma nova pequena tiragem deste livro, que estava totalmente esgotado, foi feita recentemente. Passados sete anos desde o lançamento, é possível encontrar de novo à venda nalgumas livrarias um documento de referência incontornável para a compreensão do pensamento ambiental. Pode igualmente ser encomendado diretamente ao editor: use os contactos à direita.

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DiVersos nº20

Um convite a colaborar feito a Eduarda Chiote resultou em algo nunca antes acontecido na DiVersos: a publicação de poesia inédita de um só autor ao longo de 26 páginas. O conjunto que recebemos na sequência desse convite, Fiat Lux, além de notável, não era suscetível de ser fragmentado por meio da escolha de apenas alguns poucos dos seus 36 poemas. Deixar Fiat Lux de lado seria impensável – restou publicá-lo na íntegra, com a consciência de assim prestarmos um serviço à poesia de língua portuguesa.

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