À Sombra dos Grandes Animais Extintos

«Receita-me o sintomatologista
comprimidos, dizendo: por enquanto
isto.
O que preciso Dr., devia ter dito,
O que preciso Dr. é de palavras boas
como uma faca na mesa para cortar o pão
e umas mãos que pousem verdes as azeitonas
Um sorriso que acompanhe o vidro baço e grosso
com o vinho que as mesmas mãos plantaram
O que preciso Dr., devia ter dito, é de uma palavra
boa
como uma onda calma espumejando nos pés.
Por enquanto os comprimidos, diz-me o especialista
acreditando – quem sabe – que a ciência da conversa
pode germinar bondades
como um sol açucarando os frutos.»
Helena Filas Afonso, À Sombra dos Grandes Animais Extintos

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O Pequeno Mal

O Pequeno Mal é constituído por 51 poemas, escritos entre 2006 e 2011. Aconselha-se a pessoas que gostem de vinho, de imaginar que existem quatro estações, do mar, de árvores, de música, de vinho outra vez e, moderadamente, de outras pessoas. Aconselha-se, portanto, e no geral, a seres humanos. O título do livro é uma consideração sobre a poesia, particularmente do lado de quem a faz, que pode ou não ter directamente a ver com o tipo de poemas que lá se encontram. Da mesma maneira, ao longo do livro, fala-se num soldado duas vezes e não é certo que seja o mesmo em ambas.

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Sol Nascente

São desenhos-escrita que deslizam pela página, textos sem texto dentro e textos de texto-pensar. É isso que Sibila Madzalik de Moraes faz em Sol Nascente, o seu primeiro livro – tenta captar a durabilidade do instante, escreve totalidades em redução, cria imagens-luz. Fragmentário, o discurso foge àquilo que poderia ser considerado narrativa visual, transformando-se em poema-folha, pedaço de mina, onde se solta, contida, a mudez da autora, ou melhor a sua escuta do silêncio, escuta de olhar intacto.
Ana Marques Gastão,
no prefácio

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Safra do Regresso

Suplemento extemporâneo a Flor De Um Dia, é o subtítulo desta Safra do Regresso. Regresso do autor da última (1991-2005) de várias permanências no estrangeiro, e que se quis definitivo. Flor De Um Dia – Poesia Inédita Reunida, publicada neste mesmo editor em maio de 2009, integra toda a poesia escrita e retida pelo autor entre 1960-61 e 2005.  Em Safra do Regresso recolhem-se poemas escritos sobretudo após fechada a compilação de Flor de Um Dia e que retomam algumas das vozes a que se alude no primeiro poema dessa recolha. Dada a continuidade temática  e formal de cada uma das muito diversas vozes assumidas, o leitor interessado pode fazer desta Safra do Regresso, livro pequeno e que se lê depressa, um prólogo à leitura ou releitura de Flor De Um Dia como se fosse ainda o mesmo livro.

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Campa Rasa e outros poemas

Uma poesia alegre e triste… como a vida. Vindo de raízes surrealistas, abjecionistas e, em parte, neo-realistas, a poesia de Afonso Cautela teve sempre uma nota muito própria e diferente. Em Campa Rasa afloram temas de ressonância do mundo e da vida que a aproximam de um diálogo com Teixeira de Pascoaes, Frei Agostinho da Cruz, António Correia de Oliveira e Bocage.

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Instrumentos de Sopro

Paisagens interiores [Inscapes], eis o subtítulo deste livro. Livro que nasce da colectânea El lugar, la imagen, editada em 2006 em Espanha pela Editora Regional da Extremadura, com tradução para castelhano de Antonio Saéz Delgado (Professor na Universidade de Évora). Inclui um Prólogo do poeta brasileiro C. Ronald: «Ruy Ventura não tem nada de poeta português. Já desponta com universalidade.» No final, inclui notas do Autor, que referem as paisagens exteriores sem as quais não teriam existido as interiores que se vazam nos poemas do livro. Que incluem também paisagens culturais: objetos de arte, monumentos, achados arqueológicos.

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