Dispersão – Poesia Reunida

O ciclo da solidão individual pode quebrar-se, e uma harmonia, embora efémera e imperfeita, ser instaurada pelo amor. Mas amador e amada fecham-se ambos sobre si, entrelaçando solidão e estranheza, participando das contradições que afetam o poeta.

Autor: Nuno Dempster
Páginas: 290
Preço:  15€
Ano de edição: 2008
ISBN: 978-972-8870-21-8
Coleção: GaláXia

Nuno Dempster, nascido em 1944 na Ilha de São Miguel, Açores, inicia com Dispersão Poesia Reunida, um trajeto invulgar na poesia contemporânea. E invulgar, desde logo pela estreia tardia, pela dimensão e pelas características deste volume que, como se explica na Nota que o encerra, inclui poemas escritos ao longo de mais de dez anos, organizados em sete áreas temáticas que bem poderiam constituir-se em livros independentes. Assim agrupados, representam a diversidade dos assuntos que o percorrem e lhe conferem uma dispersão e amplitude hoje pouco comuns. Poesia mais reflexiva que efusiva, encontra o nexo estruturante num discurso muito próprio e na incessante indagação acerca da existência do Homem no tempo pessoal e histórico que lhe é dado viver.

O poeta é um viandante, ora fascinado pela diversidade do mundo, ora atormentado pelo sentimento do exílio e da incomunicabilidade. Alienado da infância e espoliado de um direito de pertença que nem a memória lhe permite resgatar, ou só fugazmente, não encontra sentido nesta viagem a que apenas o acaso parece presidir e que se vai convertendo em peregrinação sem repouso nem fim à vista, excepto o que o tempo imporá.

Se as aves da infância já não fazem ninho nos dias largos, também o mundo se foi dissociando de ritmos conformes ao homem e à natureza. O devir histórico transformou o planeta num campo de concentração global cuja barbaridade o poeta denuncia, retratando uma humanidade perdida de qualquer propósito. Porque esta é também a poesia de uma consciência comprometida com a sua própria exigência e lucidez.

Depurado e sóbrio, com preferência pela frase longa, pelo verso livre só na aparência, pelo decassílabo e pela acentuação na sexta sílaba, Nuno Dempster parte de uma rica tradição poética de que se revela herdeiro, sem cedências ao comum. Na claridade do seu olhar poético, na música dos seus versos, perpassa um desencanto, uma melancolia subtil porque toda a beleza é efémera ou intocável, toda a comunhão, adiada, o passado sem remédio, e a vida, enfim, uma brevidade sem apelo.
Soledade Santos

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