Pensar Como uma Montanha – A Sand County Almanac

Com centenas de milhares de exemplares em várias línguas divulgados universalmente, A Sand County Almanac, de Aldo Leopold, é hoje o clássico da natureza e da ecologia mais debatido em todo o mundo.

Autor: Aldo Leopold
Páginas: 218
Preço: 18€
Ano de edição: 2008
ISBN: 978-972-8870-10-2
Coleção: Terra e Gente

Com esta edição, chega finalmente ao público português uma tradução da obra capital do pensador norte-americano, Aldo Leopold (1887-1948), que manteve o seu título original inglês, A Sand County Almanac, ao lado do sugestivo título em português, Pensar como uma Montanha, expressão aliás do próprio Leopold.

Apesar da maior parte da sua obra ser especializada nos temas da política florestal e da gestão de recursos cinegéticos – mais de 350 artigos – não foi esse o factor preponderante para transformar Aldo Leopold, com segurança, na segunda figura mais influente, ao lado de Rachel Carson, do ambientalismo norte-americano do século XX.

O que nós devemos a Leopold é uma radical mudança do olhar sobre as relações entre o Homem e a Natureza. Retomando a inspiração de outras duas grandes figuras do pensamento norte-americano do século XIX, Emerson e Thoreau, Leopold oferece aos seus leitores uma visão subtil e delicada da frágil teia dos equilíbrios naturais, criticando, de uma forma pedagógica e sem arrogância moral ou científica, o modo desastrado e destruidor de que se revestem a maioria das intervenções humanas sobre os ecossistemas, em nome de um duvidoso conceito de «progresso».

O essencial da herança de Leopold, que perdurará como semente com frutos abundantes ao longo do século XXI, está presente em duas obras, Round River e A Sand County Almanac. É nesta última obra, agora disponível em língua portuguesa, que está contida a proposta filosófica mais profunda deste engenheiro dos bosques e das planícies, que soube ver mais fundo que a esmagadora maioria dos filósofos profissionais do seu tempo: uma «Ética da terra» (land ethic).

Na Ética da terra de Leopold está incluído praticamente tudo aquilo que nós hoje ainda estamos a aprender quando queremos transformar o conceito de desenvolvimento sustentável em algo mais do que num emblema retórico: o respeito pelos valores intrínsecos dos ecossistemas; a capacidade de apreciação pelo sagrado e sublime que se manifesta na natureza; a urgência de uma economia ecológica, que não externalize os custos ambientais e seja capaz de dar um valor ao «capital natural», promovendo sensatas políticas de conservação das espécies e das paisagens.

Acima de tudo, Aldo Leopold recorda-nos que o grande sentido da palavra ética é o de construção de comunidades, de relações de partilha e de simbiose entre os seus membros. Ora, a humanidade tem historicamente traçado uma fronteira entre si e as outras criaturas, como se os seres humanos pudessem subsistir sem o concurso das forças naturais, de que dependemos como a parte depende do todo. A Ética da terra faz um apelo ao alargamento da comunidade ética a todas as criaturas. Paz na terra e com a terra, entre os homens e todas as criaturas. Esse é o desafio e a tarefa vital da humanidade no século XXI.

Penso que o leitor encontrará ainda outras razões fortes para meditar com e sobre este livro. Aldo Leopold convoca-nos para uma viagem que, ao colocar-nos perante os desafios da civilização, revela-nos como estes são inseparáveis da tarefa de repensar a nossa identidade pessoal, na demanda de um novo centro de gravidade para o sentido das nossas vidas.
Viriato Soromenho-Marques

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