DiVersos 39

DiVersos 39

     Com 17 línguas presentes neste número, a DiVersos faz jus ao seu subtítulo – poesia e tradução. Não que esperemos que os nossos leitores habituais leiam o malaio ou o albanês ou mesmo o grego. A opção é a de acolher a poesia na sua universalidade e estranheza, abrir caminhos à familiaridade com a diversidade linguística e até proporcionar algum encontro de falantes de alguma delas com os que falam e escrevem em português. Foi no n.º 16 (janeiro de 2012) que iniciámos a publicação de originais acompanhando a versão traduzida, o que, não sendo uma regra absoluta, se tornou frequente, sem que haja qualquer discriminação para as traduções não acompanhadas do original.

     Das mais de 40 línguas presentes ao longo de trinta anos e das 17 línguas deste número, algumas são-no aqui pela primeira vez, como acontece com o corso (cuja proximidade com o italiano oficial o torna não tão estranho), que aqui aparece na tradução de poemas de José Manuel de Vasconcelos por Ghiacumu Thiers; com o latim (traduzido por Jorge Vilhena Mesquita), com o albanês e com o indonésio (traduzidos a partir do inglês).

     Não temos a pretensão de chegar às cerca de sete mil línguas existentes (algumas das quais em risco sério de extinção), mas apenas de continuar atentos à diversidade e à vontade de descoberta. E, como é natural, as mais frequentes continuarão a ser as línguas de origem europeia, como também aqui, onde figuram o francês (em traduções de Nicolau Saião, Filipa Jardim, José Manuel de Vasconcelos), o italiano (ainda José Manuel de Vasconcelos), o neerlandês (traduzido por Ana Maria Carvalho), o inglês (traduzido por Freire Falcão, Cláudia Costa, José Lima), o espanhol (que Maria do Sameiro Barroso tanto traduz como nele é autora, o que acontece também com o inglês, e em que poemas seus são, por intermédio do inglês, traduzidos em albanês e em indonésio), o catalão (traduzido por Tiago Alves Costa), e ainda, menos frequente, o norueguês (traduzido com ajuda de Pedro Fernandes). Só por acaso ficou desta vez ausente o alemão.

     Quanto a poemas em português, uma curiosidade – o poeta francês Jean-Paul Bota, aqui trazido por José Manuel de Vasconcelos, escreve também poesia diretamente em língua portuguesa. Outros autores portugueses, com ou sem tradução em outras línguas, são António José Queiroz (poeta e editor de poesia), Carlos Leite, Filipa Jardim, Francisco Duarte Mangas, Jorge Vilhena Mesquita, Luís Serra, Rui Guilherme Silva. Em português também, o cabo-verdiano Rëys Moreira; José Luis Hoppfer C. Almada, que escreve tanto em português como em cabo-verdiano, surge aqui com poemas seus na língua de Cabo Verde traduzidos por Rui Guilherme Silva. Quanto ao brasileiro Paulo Henriques Britto, com o seu toque algo pessoano, e que escreve poesia em português mas também em inglês, teve a sua poesia reunida publicada em Portugal em 2021 pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

      De Manuel Resende falámos na rubrica «Do Editor». A sua presença, cinco poemas escolhidos pelos que o acompanharam no nascimento da DiVersos, traz-nos de novo a sua poesia, num convite a relê-la e com o qual exprimimos a nossa saudade.

Diversos n.º 39 janeiro – fevereiro 2026

  • Aimé Césaire, 39 (9-12), traduzido do francês por Nicolau Saião
  • Alessio Brandolini 39 (14-27), traduzido do italiano por José Manuel de Vasconcelos
  • Andreas Kalvos 39 (28-43), traduzido do grego por Maria da Piedade Faria Maniatoglou
  • António José Queiroz 39 (44-49)
  • Béatrice Marchal 39 (50-57), traduzido do francês por José Manuel de Vasconcelos
  • Billy Collins 39 (58-74), traduzido do inglês por Guilherme de Oliveira
  • Breyten Breytenbach 39 (75-83), traduzido do africânder por Ana Maria Carvalho
  • Carlos Leite 39 (84-88)
  • Filipa Vera Jardim 39 (89-93), traduzido pela autora, que escreveu originariamente em árabe, para português, para hebraico, para francês; do hebraico originário para português, árabe e francês; do português para árabe e hebraico pela própria autora
  • Francisco Duarte Mangas 39 (94-98)
  • Gabriel Ventura 39 (99-107), traduzido do catalão para português por Tiago Alves Costa
  • Gro Dhale 39 (109-113), traduzido do norueguês por Pedro Fernandes (com André Fernandes e José Carlos Costa Marques)
  • James Baldwin 39 (114-121), traduzido do inglês por Cláudia Oliveira
  • Jean-Paul Bota 39 (122-126), original em português
  • Jorge Vilhena Mesquita 39 (127-130)
  • José Carlos Costa Marques 39 (131-135)
  • José Luís Hopffer C. Almada 39 (136-153), traduzido do caboverdiano por Rui Guilherme Silva
  • José Manuel de Vasconcelos 39 (154-165), traduzido para corso por Ghjacumu Thiers
  • Konstanty Ildefons Gałczyński 39 (166-167), traduzido do polaco para português por Marcin Wlodek
  • Léon-Paul Fargue 39 (168-169), traduzido do francês por Nicolau Saião
  • Luís Serra 39 (170-171)
  • Manuel Resende 39 (172-176)
  • Marcial 39 (177-182), traduzido do latim por Jorge Vilhena Mesquita
  • Maria do Sameiro Barroso 39 (183-192), original português traduzido em castelhano pela autora e em indonésio por Rini Valentina; original de dois poemas em inglês pela autora, que os traduziu para português, tendo sido traduzidos em albanês por Jeton Kelmendi; poema em português da autora e por ela traduzido para espanhol, seguidamente traduzido para inglês por Roy Gravzow e Stanley H. Barken e daí para malaio por Raja Rajesswari Seetha Raman
  • Maria Polydoúri 39 (193-201), traduzido do grego por Maria da Piedade Faria Maniatoglou
  • Paulo Henriques Britto 39 (202-204)
  • Philip Levine 39 (205-217)
  • Rëys Moreira 39 (218-220)
  • Rui Guilherme Silva 39 (221-226)
  • Stephen Toft 39 (227-235), traduzido do inglês por Francisco José Craveiro de Carvalho
  • Tadeusz Rózewicz 39 (236), traduzido para português por Carlos Leite tendo como ponte a versão em inglês de Robert A. Maguire e Magnus J. Krynski
  • Vincenç Altaió 39 (237-241), tradução do catalão por Tiago Alves Costa
  • Zisimos Lorentzatos 39 (242-263), traduzido do grego por Rosa Salvado Mesquita

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