Se alguma caraterística distingue este número do padrão habitual da DiVersos, será que, em 17 autores, apenas cinco são autores traduzidos para português (sem contar portanto com Tahar Bekri pelas razões apontadas na página anterior). Ou seja, um terço, quando costumam rondar a metade. Billy Collins, poeta americano traduzido do inglês por Francisco José Craveiro de Carvalho, numa apresentação bilingue; Dusan Matic, poeta sérvio muito próximo dos surrealistas franceses, aqui presente em versão portuguesa de Nicolau Saião; José Watanabe, poeta peruano de extrema imaginação visual, traduzido do castelhano por José Lima; Lathaprem Sakhya, poetisa e pintora indiana que escreve e traduz em inglês, hindi, malaiala e tâmil, e vertida em português por Maria do Sameiro Barroso; e Yuleisy Cruz Lezcano, poetisa cubana radicada em Itália, traduzida por Carlos Ramos.
Mas o espetro linguístico não se reduz ao português, ao inglês, ao francês ou mesmo ao sérvio; nem mesmo ao malaiala e ao tâmil, línguas nunca antes vistas nestas páginas. Também, em traduções de poemas em português da autoria de António Salvado, estão presentes pela primeira vez mais dois registos linguísticos: esperanto e mirandês. No poeta angolano Carlos Monteiro Ferreira, que escreve em português, ecoam línguas de Angola, nomeadamente o umbundu e o kimbundu; em Luísa Costa Gomes, escritora portuguesa firmada sobretudo pela sua ficção, vamos encontrar o papiamento, crioulo baseado no português e no espanhol, ainda vivo e ativo no Caribe holandês. E, por falar em holandês, o poeta basileiro Zuca Sardan, de quem tivemos conhecimento por Ana Carvalho (que nos trouxe já anteriormente vários autores traduzidos do neerlandês e do africânder / afrikaans) sob forma de uma antologia bilingue português-neerlandês, aparece nesta DiVersos com uma miniantologia por nós selecionada. A nosso pedido, o primeiro e último poema dessa seleção figuram ao lado da sua tradução em neerlandês por Harrie Lemmens, que traduziu já para o neerlandês mais de 100 livros de autores de língua portuguesa. Se isto não é admirável…
Mas o arco-íris linguístico está também, como já vimos, em alguns autores de língua portuguesa. É, mais uma vez, o caso de Maria do Sameiro Barroso, que surge com um poema em português por ela traduzido para inglês e alemão, e para o malaiala e o tâmil por Lathaprem Sakhya. Maria Okeanida, madeirense radicada em Toulouse, numa segunda colaboração com a DiVersos, traz-nos poemas em português, sendo que em dois deles encontramos várias linhas em francês, como integrantes do poema e não como tradução. De António Salvado vimos já que por via dele somos introduzidos ao esperanto e ao mirandês em que foram traduzidos alguns poemas seus; na poesia de Carlos Monteiro Ferreira perpassam algumas línguas africanas, como referimos.
Outros autores de língua portuguesa (citámos já, além de outros, Maria Okeanida, Maria do Sameiro Barroso, Luísa Costa Gomes e Zuca Sardan) são também neste número Ana Lobo (com sua predileção «japonesa» pelo haiku), António Cândido Franco, Nadine Nevsky, Paulo Jorge Brito e Abreu, Sofia Sampaio e Tatiana Faia. Desta última, esperamos a oportunidade de tê-la futuramente em traduções suas a partir do grego clássico e do grego moderno, vindo assim juntar-se, se o quiser, aos helenófilos que povoam a DiVersos desde o seu primeiro número: Manuel Resende (com enorme saudade), Rosa Salvado Mesquita, Maria da Piedade Maniatoglou, o próprio editor da DiVersos, e, para o grego clássico, Alípio Carvalho Neto, escritor brasileiro que traduziu Arquíloco. Mas, escrito em Atenas, o poema de Tatiana Faia inscreve-se já, desde a dedicatória ao local de primeira escrita, e sobretudo pelo que evoca, na nossa tradição helenófila.
DiVersos n.º 34 Outono 2022
- Ana Lobo 34 (9-11)
- António Cândido Franco 34 (12-25)
- António Salvado 34 (27-37 tradução para esperanto de Alexandra Paz, Roger Prieto e Jorge Camacho Cordón e para mirandês por Adelaide Monteiro)
- Billy Collins 34 (38-47 tradução do inglês por Francisco José Craveiro de Carvalho)
- Carlos Monteiro Ferreira 34 (48-60)
- Dusan Matic 34 (61-68 tradução de Nicolau Saião)
- José Watanabe 34 (69-83 tradução do castelhano por José Lima)
- Lathaprem Sakhya 34 (84-87 tradução para português do original em inglês da Autora por Maria do Sameiro Barroso, e tradução do inglês para o malaiala e o tâmil pela própria Lathaprem Sakhya)
- Luísa Costa Gomes 34 (88-93, inclui dois poemas em papiamento, não traduzidos)
- Maria Okeanida 34 (94-98)
- Maria do Sameiro Barroso 34 (94-103 um só poema, com traduções do português para inglês e alemão pela Autora e para malaiala e tâmil por Lathaprem Sakhya)
- Nadine Nevsky 34 (104-111)
- Paulo Jorge Brito e Abreu 34 (112-118)
- Sofia Sampaio 34 (119-122)
- Tahar Bekri 34 (123-131 errata: tradução para português por Bernardette Capelo através de versões francesas do próprio Autor sobre poemas por este escritos em árabe)
- Tatiana Faia 34 (132-137)
- Yuleisy Cruz Lezcano 34 (138-143 tradução do castelhano por Carlos Ramos)
- Zuca Sardan (Carlos Filipe Alves Saldanha) 34 (144-152)
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