DiVersos nº20

Um convite a colaborar feito a Eduarda Chiote resultou em algo nunca antes acontecido na DiVersos: a publicação de poesia inédita de um só autor ao longo de 26 páginas. O conjunto que recebemos na sequência desse convite, Fiat Lux, além de notável, não era suscetível de ser fragmentado por meio da escolha de apenas alguns poucos dos seus 36 poemas. Deixar Fiat Lux de lado seria impensável – restou publicá-lo na íntegra, com a consciência de assim prestarmos um serviço à poesia de língua portuguesa.

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À Sombra dos Grandes Animais Extintos

«Receita-me o sintomatologista
comprimidos, dizendo: por enquanto
isto.
O que preciso Dr., devia ter dito,
O que preciso Dr. é de palavras boas
como uma faca na mesa para cortar o pão
e umas mãos que pousem verdes as azeitonas
Um sorriso que acompanhe o vidro baço e grosso
com o vinho que as mesmas mãos plantaram
O que preciso Dr., devia ter dito, é de uma palavra
boa
como uma onda calma espumejando nos pés.
Por enquanto os comprimidos, diz-me o especialista
acreditando – quem sabe – que a ciência da conversa
pode germinar bondades
como um sol açucarando os frutos.»
Helena Filas Afonso, À Sombra dos Grandes Animais Extintos

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Maravilhar-se – Reaproximar a Criança da Natureza

Este livro constitui, para além do seu enorme interesse específico em matéria de educação e natureza, uma homenagem à Autora, nos 50 anos (1962 – 2012) da edição de Primavera Silenciosa (Silent Spring), o livro que mais celebrizou duradouramente Rachel Carson, publicado pela primeira vez em setembro de 1962.

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O Pequeno Mal

O Pequeno Mal é constituído por 51 poemas, escritos entre 2006 e 2011. Aconselha-se a pessoas que gostem de vinho, de imaginar que existem quatro estações, do mar, de árvores, de música, de vinho outra vez e, moderadamente, de outras pessoas. Aconselha-se, portanto, e no geral, a seres humanos. O título do livro é uma consideração sobre a poesia, particularmente do lado de quem a faz, que pode ou não ter directamente a ver com o tipo de poemas que lá se encontram. Da mesma maneira, ao longo do livro, fala-se num soldado duas vezes e não é certo que seja o mesmo em ambas.

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Sol Nascente

São desenhos-escrita que deslizam pela página, textos sem texto dentro e textos de texto-pensar. É isso que Sibila Madzalik de Moraes faz em Sol Nascente, o seu primeiro livro – tenta captar a durabilidade do instante, escreve totalidades em redução, cria imagens-luz. Fragmentário, o discurso foge àquilo que poderia ser considerado narrativa visual, transformando-se em poema-folha, pedaço de mina, onde se solta, contida, a mudez da autora, ou melhor a sua escuta do silêncio, escuta de olhar intacto.
Ana Marques Gastão,
no prefácio

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